Dicotomias

Memórias, contos & Poesia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

No Dia do Anúncio da Morte do Poeta da Paz - por Hélder Gonçalves









No dia do anúncio da morte do poeta da paz -
Zarzuelas, nos esconços becos, país das trevas,
folguedos haviam -  hediondas, esquálidas figuras
de carrancas em físicos nodosos, dignas de cartaz.
Bocarras torcidas, esculpidas, toscas como pedras,
dançavam -   na morte do poeta. Póstumas agruras!

Rodopiando em vertigens,  com feios esgares.
Enquanto o poeta, jazia, em marmóreo  pedestal,
pendurado, crucificado, nas suas plúmbeas asas.
Em seus pés, todos os sonhos, e tantos azares
Abutres se soltam -  aguardando banquete final:
festim maquiavélico em redor de rubras brasas

Representação bem ao jeito das forças das trevas
Do obscurantismo e das menores coisas da vida,                          
na voraz mesquinhez e dos humanos interesses
Aplaudindo e glorificando o mal, sem reservas
Atropelando, espezinhando e rindo, logo à partida
Do Poeta, suas mensagens de amor, quantas vezes ?                                                
               
Mas parai, gente danada, dos confins do inferno:          
Eis que surge nuvem branca, envolvente,  dominadora.  
Travando tal concerto, dos  ratos tinhosos da hipocrisia-
senhores das gélidas verdades - vento  frio do inverno
Sem o sonho do poeta do Amor e mensagem consoladora:      
tudo, quanto de bem, ele, almejava conseguir algum dia.                         

               
Então, num golpe de magia, o poeta,tombado, se vira
Num esbelto e fogoso cavalo alado de alvar brancura –
erguendo-se, com a força do vento,  num rompante.
Em  seu escudo -  a cruz da cultura, também ,uma lira.
Arma , como simbolo, junto ao peito, ele  bem segura:
bandeira com palavra POESIA  -  Em  pose altiva e dominante!



A Sala do Tempo Parado

A Sala do Tempo Parado
Só quem não viveu não tem histórias para contar

Seguidores