Dicotomias

Memórias, contos & Poesia

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Mouraria - por Hélder Gonçalves






 Mouraria


Naquela viela estreita, gentios horrores
Um bafo quente, de estranhos odores
Com nome esquisito Rua das Atafonas
Tabernas esconsas, cheiros a azeitonas  
Putas, encostadas, em porta carcomida
Gastas pelo tempo, escadas da má vida!

Vendem o corpo mal nutrido, desajeitadas
De mamas caídas suportadas em trapos
Pernas ao léu, varizes azuis aos esses desenhadas
Pequenas saias - mais parecendo farrapos
Desdentadas, desgrenhadas, ali plantadas,
Sem tempo, chulos de perto ,nos mesmos  pecados!

Ao lado, a taberna exala cheiros rançosos
De tantas iscas "com elas", ali passadas
Em molho grosso de frituras continuadas
P!raquela gente eram pitéus bem saborosos
Conversas estúpidas, galhofando - tantas  atoardas
Gritos histéricos,  em alvares gargalhadas!

Juventude a quanto obrigas -  por ali passei!
Beijos balofos em nome do desejo, suportei
Meus olhares, nesse tempo, não eram esquisitos
Para mim o importante era ter os requisitos
Como adolescente candidato a homem em ebulição
Sonhos noturnos  com momentos de masturbação

Por uma puta bem gordinha  me enamorei
De seu nome Rosa, por ela, então, me apaixonei
Recebi favores, carinho e até o amor dela granjeei
Por isso sempre pensei que ser puta – Meu Deus!
Nada mancha o coração - amor tal, como o dos Céus
Como Cristo a  Madalena, a pedra não atirei!





A Sala do Tempo Parado

A Sala do Tempo Parado
Só quem não viveu não tem histórias para contar

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