DICOTOMIAS

MEMÓRIAS, CONTOS E POESIA

quinta-feira, 5 de março de 2015

A Morte do Poeta por Hélder Gonçalves






No dia do anúncio da morte do poeta da paz -
Zarzuelas, nos esconsos becos, país das trevas,
Folguedos haviam - hediondas, esquálidas figuras
De carrancas em físicos nodosos, dignas de cartaz.
Bocarras torcidas, esculpidas, toscas como pedras,
Dançavam -   na morte do poeta. Póstumas agruras!

Rodopiando em vertigens,  com feios esgares.
Enquanto o poeta, jazia, em marmóreo  pedestal,
Pendurado, crucificado, nas suas plúmbeas asas.
Em seus pés, todos os sonhos, e tantos azares
Abutres se soltam -  aguardando banquete final:
Festim maquiavélico em redor de rubras brasas

Representação bem ao jeito das forças das trevas
Do obscurantismo e das menores coisas da vida,
Na voraz mesquinhez e dos humanos interesses
Aplaudindo e glorificando o mal, sem reservas
Atropelando, espezinhando e rindo, logo à partida
Do Poeta, suas mensagens de amor, quantas vezes?

Mas parai, gente danada, dos confins do inferno:
Eis que surge nuvem branca, envolvente,  dominadora.
Travando tal concerto, dos  ratos tinhosos da hipocrisia-
Senhores das gélidas verdades - vento  frio do inverno
Sem o sonho do poeta do Amor e mensagem consoladora:
Tudo, quanto de bem, ele, almejava conseguir algum dia.


Então, num golpe de magia, o Poeta, tombado, se vira
Num esbelto e fogoso cavalo alado de alvar brancura –
Erguendo-se, com a força do vento,  num rompante.
Em  seu escudo -  a cruz da cultura, também uma lira.
Arma, como símbolo, junto ao peito, ele  bem segura:
Bandeira com palavra AMOR -  Em  pose altiva e dominante!







A Sala do Tempo Parado

A Sala do Tempo Parado
Só quem não viveu não tem histórias para contar

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