DICOTOMIAS

MEMÓRIAS, CONTOS E POESIA

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pesadelo - por Hélder Gonçalves







Esta noite visitei o dia em que morri
Estendido na cripta da igreja
Mais próxima da casa em que habitei
Olho em volta – Ninguém sorri
Alguns amigos – Poucos que eu veja
Família apenas o filho que eu amei!

Todos à volta conversam, baixinho
Alguém que chega.  Me destapa o rosto
Estarei cinzento, talvez amarelado
O esgar de curiosidade no pobrezinho
Com repulsa logo se afastou em desgosto
A meditar, sem jeito, ali ficou especado

Pequenos grupos se vão formando
Conversas soltas, ouço-as demais
Muitas delas a mim dizem respeito
Como homem, como pai e outras tais
Nunca pensei os atributos que juntei
Tão bom que então fui – Até demais!

A noite, o seu ritmo vai marcando
Flores tantas, à volta não me faltam
O Cristo em frente pendurado - Inerte
Piedoso, como quem está esperando
Ímpio filho – Velhas questões assaltam
Por fim salva-me do medo e me converte

Chega a manhã - Na cama, despertei
Tenebroso sonho que me quis matar  
Na tumba - A minha morte assisti
Horrível pesadelo jamais tal pensei
Logo a janela abri e poder respirar
Do medo daquilo que então vivi!




Hélder Gonçalves
Agosto 2016













A Sala do Tempo Parado

A Sala do Tempo Parado
Só quem não viveu não tem histórias para contar

Seguidores